27 jun 2022
OS VEÍCULOS ELÉTRICOS ESTÃO CHEGANDO E POSTOS DE RECARGA SÃO FUNDAMENTAIS
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O futuro da mobilidade está veiculado a eletrificação e a redução do uso de combustíveis fósseis, mas é importante ressaltar que a massificação dos veículos elétricos exige um planejamento bem estruturado para que empresas, especializadas em recargas, consigam popularizar seus produtos.

Em novembro do ano passado, durante a COP26, Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática de 2021, realizada em Glasgow, na Escócia, lideranças de todo mundo discutiram o quanto a emissão de gases poluentes na atmosfera tem prejudicado o Meio Ambiente e provocado efeitos negativos ao clima.  Na oportunidade, algumas metas para descarbonização dos veículos foram estabelecidas, dentre elas, a redução do dióxido de carbono em 45% até 2030, trazendo uma oportunidade para aceleração no processo de eletrificação de veículos leves e pesados.

A eletrificação veicular é hoje um dos assuntos mais debatidos entre países de todo mundo. De acordo com a Abve (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), o ano de 2021 fechou com um recorde de 34.990 unidades de eletrificadas vendidas, um aumento de 77% em relação a 2020.  Esses números refletem a nova visão de descarbonização e a consciência ambiental que empresas, montadoras e consumidores têm adquirido nos últimos anos.

Paralelamente ao aumento de veículos elétricos no Brasil e em todo mundo, é preciso avaliar como serão feitas as recargas para que carros, caminhões e ônibus eletrificados consigam circular com maior autonomia. Todas as versões híbridas, híbridas plug-in ou elétricos puros precisam de pontos para que suas baterias sejam reabastecidas. Esse é um assunto se tornou um dos pontos de atenção para fabricantes de veículos elétricos.

O futuro da mobilidade está veiculado a eletrificação e a redução do uso de combustíveis fósseis, mas é importante ressaltar que a massificação dos veículos elétricos exige um planejamento bem estruturado para que empresas, especializadas em recargas, consigam popularizar seus produtos. Um questionamento que é cada vez mais latente, refere-se às condições estruturais das cidades para receber esses pontos de recarga, seguindo um número semelhante de opções de postos de combustível para veículos comuns.

Segundo a Abve, a frota de veículos elétricos no Brasil já chegou à marca de 75 mil unidades emplacadas e sabemos da tendência de ampliação desses números, uma vez que as montadoras de carros, encarroçadoras de ônibus e fabricantes de caminhões anunciam gradativamente suas apostas para o novo conceito da mobilidade.

Nos Estados Unidos, por meio da EEI (Edison Electric Institute), uma associação de empresas de energia de propriedade de investidores, estabeleceu como meta, para 50 empresas associadas, a criação de mais de 100 mil portas de carregamento rápido para os quase 22 milhões de veículos elétricos que circularão em solo norte-americano até 2030.

Aqui, no Brasil, em contrapartida, a Abve contabilizou, em setembro de 2021, apenas 754 estações de recargas públicas e semipúblicas no Brasil, com 735 delas em operação, correspondendo apenas a 0,98% do total de veículos já existentes.

No entanto, por se tratar de um sistema de recarga que exige um tempo maior para a conclusão, notamos uma tendência de que os sistemas de recarga sejam implantados em edifícios comerciais e residenciais gradativamente, permitindo que esses veículos sejam recarregados no período da noite ou durante o expediente. Em São Paulo, por exemplo, desde março de 2021, está em vigor a Lei municipal n. 17.336, que obriga a instalação de carregadores para veículos elétricos e híbridos em novos projetos de edifícios residenciais e comerciais. A lei exclui os empreendimentos construídos a partir de programas habitacionais públicos e subsidiados com recursos do governo.

A regulamentação é apenas o primeiro passo, mas muitos pontos precisam ser considerados para que o sistema seja efetivamente eficiente e esteja disponível a todos. Em São Paulo, por exemplo, não está definido o número de carregadores que devem ser instalados por edifício e não é apontado qual é o modelo de equipamento para recarga que deve ser utilizado, essas lacunas deixam dúvidas sobre a capacidade de atender a demanda dos proprietários de veículos elétricos e sobre como será feita a cobrança pelo consumo de energia. Para avançar com esse projeto, em breve, todas as vagas deverão estar, ao menos, preparadas para receber pontos de recarga.

Diante deste cenário, fica a reflexão para que a alta demanda por eletrificação veicular também tenha, proporcionalmente, um aumento dos postos de abastecimento para esses veículos em todo território nacional. Afinal, as estações de recarga no Brasil ainda são insuficientes para atender a quantidade de veículos que já circulam e os modelos que ainda chegarão às ruas nos próximos meses.

As ideias e opiniões expressas no artigo são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões da Marcopolo. 

Joao Paulo Ledur

Diretor de Estratégia e Transformação Digital da Marcopolo: Profissional com experiência internacional na indústria automotiva, João Paulo Pohl Ledur atualmente é diretor de Estratégia e Transformação Digital da Marcopolo, onde responde também pelas áreas de Corporate Venture Capital e Inovação da companhia. Atuando na gestão da estratégia de inovação e seus desdobramentos na cultura organizacional, fazendo conexão do atual negócio com o futuro da mobilidade. Há 18 anos na empresa, parte deles atuando na África do Sul, o executivo tem formação pela Universidade do Vale dos Sinos – Unisinos e Fundação Getúlio Vargas – FGV.

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