Uso do biometano como alternativa na descarbonização dos transportes

em: 22/04/2025

As mudanças climáticas estão delineando uma nova fronteira que determinará quais organizações prosperarão e quais ficarão obsoletas. Neste sentido, a capacidade de acompanhar e, por vezes, antecipar tendências é um diferencial para empresas comprometidas com sua sustentabilidade e permanência no mercado.

No setor de transportes, a redução das emissões de carbono e de partículas nocivas ao meio ambiente é imperativa para assegurar a sustentabilidade empresarial. Na Marcopolo, o estudo de alternativas de produtos ambientalmente alinhados a este momento de mudanças climáticas é uma prioridade estratégica que converge com o propósito de inovação da empresa. Com a aproximação da COP30 no Brasil, vemos uma excelente oportunidade para expor as iniciativas desenvolvidas ao longo dos anos e que aproveitam todas as alternativas disponíveis para a descarbonização no setor de transportes.

Em linha com a busca constante por soluções inovadoras, destaca-se o desenvolvimento de um novo micro-ônibus híbrido movido a GNV e biometano. Recém-lançado pela companhia, este modelo complementa o portifólio de veículos com diferentes propulsões, como o 100% elétrico e o híbrido, apresentados recentemente pela marca.

O biometano, como um e já vem despontando como solução para substituição de combustíveis fósseis desde a COP28, em Dubai, e países como Suécia e Alemanha já utilizam este combustível em frotas públicas e caminhões de longa distância.

Fonte renovável, proveniente da purificação do biogás gerado a partir da decomposição de resíduos sólidos urbanos e do agronegócio, poderá alcançar uma produção diária de cerca de 6 milhões de m3/dia até 2030, distribuídos em 86 plantas de produção, segundo estimativas da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás).

Por ter composição e poder calorífico semelhantes aos do gás natural, permite sua utilização em veículos adaptados para GNV, tornando-se uma alternativa promissora para o abastecimento de frotas de ônibus no Brasil. Porém, quando comparado ao gás natural fóssil, o biometano é mais sustentável e pode reduzir em até 80% as emissões de carbono no transporte rodoviário.

De acordo com estudos da GasMig, com a utilização do GNV ou biometano, um ônibus ou micro-ônibus tem autonomia cerca de 10% maior e redução no custo com combustível da ordem de R$ 0,17 por quilômetro rodado.

Além de diminuir as emissões de poluentes atmosféricos e gases de efeito estufa, contribuindo para a melhoria da qualidade do ar e para a mitigação das mudanças climáticas, a adoção do biometano como combustível para ônibus urbanos traz outros benefícios ambientais: o uso de resíduos orgânicos para sua produção promove a gestão sustentável de resíduos, reduzindo a necessidade de aterros sanitários e evitando a emissão de metano, um potente gás de efeito estufa, diretamente na atmosfera.

Do ponto de vista econômico, a possibilidade de produção local diminui a dependência de combustíveis fósseis importados e estabiliza os custos a longo prazo. Adicionalmente, a geração de biometano pode fomentar o desenvolvimento econômico regional, criando empregos e incentivando a inovação tecnológica no setor de energias renováveis.

Sua utilização como combustível para frotas de ônibus no Brasil representa uma oportunidade estratégica para aliar sustentabilidade ambiental e desenvolvimento econômico. Com planejamento e políticas adequadas, o biometano pode se tornar uma peça-chave na matriz energética do transporte público brasileiro, contribuindo para cidades mais limpas e sustentáveis.

 

João Paulo Ledur
Diretor de Estratégia e Transformação Digital da Marcopolo

 

Fontes de consulta:

BIOMETANO COMO COMBUSTÍVEL VEICULAR – GIZ